sábado, 19 de novembro de 2011

A Exclusão Digital

                                       A  EXCLUSÃO  DIGITAL
RESUMO

        O avanço tecnológico trouxe consigo um novo problema social, que é a exclusão digital.

        No Brasil, os excluídos são cerca de 75% da população, o que é preocupante, visto que

        este novo modelo de exclusão é fator determinante para o desemprego. A ONU já colocou

        a questão entre males como a fome e o analfabetismo. Alguns projetos já estão sendo

        desenvolvidos para amenizar esta situação, porém sem muita garantia de sucesso. Este

        texto propõe a discussão sobre o efeito das novas tecnologias na sociedade

        contemporânea.



                                    A  E X C L U S ÃO  D IG IT AL

        A tecnologia digital, foi sem dúvida, responsável pelo desenvolvimento de redes globais

de conhecimento, o avanço tecnológico beneficia a sociedade quando promove soluções para

simplificar e otimizar a vida, como no caso da educação a distância e da criação de softwares de

gestão de sistemas organizacionais e muitas outras ferramentas que tornam a vida mais dinâmica

e menos complexa. Mas quem perde com tudo isso? Se formos analisar friamente a Internet só é

boa para o cidadão que tem acesso, isto nos faz refletir sobre quem pode ter acesso. Em países

subdesenvolvidos ou em desenvolvimento como o Brasil. Este acesso é restrito a uma pequena

parte da população, é privilégio de poucos, o que culmina no analfabetismo digital. Segundo o

Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística– IBGE, a “exclusão digital” atinge

mais de 75% da população brasileira. Isto significa que a maioria dos brasileiros sofre com a falta

de oportunidade de inclusão ou simplesmente são alienados em relação às novas tecnologias.

        Os excluídos digitais, em sua grande parte são pessoas que não têm noção do que é

Internet e pior ainda, não sabem que pela falta de conhecimentos sobre o mundo digital, muitos

estão, ou vão sentir dificuldade em conseguir emprego. Olhando por esta óptica podemos

observar que o desenvolvimento industrial e tecnológico exclui da maneira mais covarde

possível, porque a grande massa que esta a margem geralmente não tem os instrumento que são

básicos para a sua inclusão na vida digital: o computador, as linhas telefônica, o provedor de

acesso e conhecimento sobre a linguagem. Isto impede que essas pessoas possam fazer uso da

coletividade da informação. Somente com um investimento em educação digital, bem como o

desenvolvimento de projetos públicos ou privados com este fim, haverá possibilidade de se dar

abertura e oportunidade as quem não as tem.

                                      O INDIVÍDUO DESQUALIFICADO

        Os altos padrões técnicos da sociedade trazem consigo impactos profundos em vários

aspectos. No mercado de trabalho contemporâneo o indivíduo deve ser qualificado, pois caso não

seja, acaba por ser banido de um mercado que extingue atividades mais simples e aposenta os

cidadãos que não possuem conhecimento sobre as novas linguagens e técnicas             do sistema

informatizado.

        O indivíduo desqualificado acaba por perder a auto-estima, bem como a sua capacidade

de reação, visto que seu potencial empregatício é desprezado, e cada vez mais é excluído das

necessidades da sociedade . Suas perspectivas são progressivamente diminuídas, e a alternativa

para sua sobrevivência são os serviços informais no comércio e similares.

        Essa é a situação de boa parte da população brasileira, para qual pouco importa conhecer

ou não os benefícios da tecnologia no mundo atual. Pois, na verdade eles não têm capacidade de

consumo, e acabam por distanciar-se da tecnologia, ou seja, se tornam alienados do

conhecimento e da informação a respeito deste. O que é ainda mais preocupante, devido à

exigência cada vez maior de conhecimentos sobre informática e internet.

                                   PROJETOS PARA INCLUSÃO DIGITAL

        O Fundo de Universalização dos Serviços- FUST, representa um esforço do Governo

Federal, por meio do Ministério da Cultura, de universalizar o acesso para todos os brasileiros,

aos serviços de telecomunicações, potencializados pela conexão de computadores à Internet.

Porém, existem muitas reclamações sobre este projeto, devido a desvios e má administração da

verba voltada para a causa. Para se ter uma idéia da situação R$ 1,044 bilhão foi a receita do

FUST, até novembro de 2001. Porém o Tesouro Nacional conseguiu incluir no orçamento de

2002 a retenção de R$ 341,021 milhões para pagar a dívida com o FMI. É um absurdo imaginar

que esta verba, se bem administrada, poderia resolver, ou pelo menos diminuir, este problema no

Brasil. Este ano, a esperança é que se possa ter um melhor aproveitamento desta verba visto que,

o FUST destinará R$ 26,316 milhões para manutenção da rede e desenvolvimento de software,

tecnologias avançadas e padrões para bibliotecas digitais, entre outros itens.

        Uma outra forma de combater a exclusão digital é a criação de "telecentros comunitários".

Um "telecentro" é um lugar físico, com fácil acesso ao público que oferece gratuitamente os

serviços de informática e telecomunicações. O telecentro atua nas áreas: social, econômico,

educacional e pessoal. Essa idéia baseia-se na crença de que o cidadão tem possibilidade de

crescer, caso tenha acesso a informação. A literatura científica sobre Telecentros revela centenas

de exemplos de projetos desta natureza na África, na Ásia e na América Latina nos últimos dez

anos. De fato, o termo "Telecentro" é o mais aceito atualmente para englobar projetos similares,

com nomes tão variados como "cabines públicas", "centros comunitários de tecnologia", "centros

comunitários de acesso", "centros de conhecimento na aldeia", "infocentros", e "clubes digitais".

        No Brasil, começam a ser desenvolvidos projetos parecidos, em conjunto com países da

América Latina, onde telecentros já estão em funcionamento experimentalmente. Em São Paulo o

governo inaugurou o primeiro “infocentro”, no dia 16 de novembro de 2000, o projeto é o Acessa

São Paulo, que pretende beneficiar 3,5 milhões de paulistas. Goiânia e Porto Alegre estão sendo

cogitadas para desenvolver projetos parecidos.

        Em Santa Catarina, a exclusão digital foi diminuída, professores e acadêmicos de Ciência

da Computação da Univali, em Itajaí, desenvolveram um Grupo de Inclusão Digital- GID, com a

finalidade de reduzir as desigualdades sociais geradas pelo problema, desenvolvendo novas

modalidades de interfaces que facilitem a utilização de computadores por pessoas portadoras de

necessidades especiais.

                        O LADO NEGRO DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
        A exclusão digital demonstra o lado ruim da difusão desta tecnologia, da qual muitos

entusiastas se recusam a se dar conta, preferem não levar em consideração a grande massa de

excluídos espalhados pelo mundo atualmente. A situação é tão grave que a ONU resolveu colocá-

la entre os piores problemas da sociedade na atualidade, ao lado da fome, do desemprego e do

analfabetismo. Este tipo de exclusão é de fato tão grave quanto a fome, pois o que acontece na

área do conhecimento é o mesmo que acontece na distribuição de renda. O conhecimento tende a

ser cada vez mais valorizado, enquanto que a falta dele cada vez mais ignorada. Segundo

SILVEIRA (2001), O que deve ser feito para acabar com isso é o combate ao analfabetismo

funcional e a redução do atraso tecnológico das camadas que vivem a margem da informação.

        SILVEIRA afirma que:

                       “Em primeiro lugar, o Brasil deveria criar um ambiente favorável à

                       criação da tecnologia e o Estado deveria ter uma política de inclusão da

                       população dentro da sociedade da informação. Além disso, as pessoas

                       devem ser educadas para o uso das novas tecnologias e o Estado deve

                       entrar como operador das mesmas. Sem a ação do governo e o incentivo à

                       educação a exclusão não poderá ser combatida.” (2001,p.25).

        A tecnologia digital, com certeza, veio para ficar e possui, sem dúvida, características

particulares que podem trazer grandes benefícios para humanidade. Porém, não se deve esquecer

dos excluídos que serão os grandes prejudicados dentro deste contexto.

                                      

Um comentário:

  1. Ótimos textos, Anderson. A sociedade precisa conhecer o impacto que as novas tecnologias trazem na sociedade e quais os novos paradigmas a serem explorados. Adriana Rios

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