A EXCLUSÃO DIGITAL
RESUMO
O avanço tecnológico trouxe consigo um novo problema social, que é a exclusão digital.
No Brasil, os excluídos são cerca de 75% da população, o que é preocupante, visto que
este novo modelo de exclusão é fator determinante para o desemprego. A ONU já colocou
a questão entre males como a fome e o analfabetismo. Alguns projetos já estão sendo
desenvolvidos para amenizar esta situação, porém sem muita garantia de sucesso. Este
texto propõe a discussão sobre o efeito das novas tecnologias na sociedade
contemporânea.
A E X C L U S ÃO D IG IT AL
A tecnologia digital, foi sem dúvida, responsável pelo desenvolvimento de redes globais
de conhecimento, o avanço tecnológico beneficia a sociedade quando promove soluções para
simplificar e otimizar a vida, como no caso da educação a distância e da criação de softwares de
gestão de sistemas organizacionais e muitas outras ferramentas que tornam a vida mais dinâmica
e menos complexa. Mas quem perde com tudo isso? Se formos analisar friamente a Internet só é
boa para o cidadão que tem acesso, isto nos faz refletir sobre quem pode ter acesso. Em países
subdesenvolvidos ou em desenvolvimento como o Brasil. Este acesso é restrito a uma pequena
parte da população, é privilégio de poucos, o que culmina no analfabetismo digital. Segundo o
Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística– IBGE, a “exclusão digital” atinge
mais de 75% da população brasileira. Isto significa que a maioria dos brasileiros sofre com a falta
de oportunidade de inclusão ou simplesmente são alienados em relação às novas tecnologias.
Os excluídos digitais, em sua grande parte são pessoas que não têm noção do que é
Internet e pior ainda, não sabem que pela falta de conhecimentos sobre o mundo digital, muitos
estão, ou vão sentir dificuldade em conseguir emprego. Olhando por esta óptica podemos
observar que o desenvolvimento industrial e tecnológico exclui da maneira mais covarde
possível, porque a grande massa que esta a margem geralmente não tem os instrumento que são
básicos para a sua inclusão na vida digital: o computador, as linhas telefônica, o provedor de
acesso e conhecimento sobre a linguagem. Isto impede que essas pessoas possam fazer uso da
coletividade da informação. Somente com um investimento em educação digital, bem como o
desenvolvimento de projetos públicos ou privados com este fim, haverá possibilidade de se dar
abertura e oportunidade as quem não as tem.
O INDIVÍDUO DESQUALIFICADO
Os altos padrões técnicos da sociedade trazem consigo impactos profundos em vários
aspectos. No mercado de trabalho contemporâneo o indivíduo deve ser qualificado, pois caso não
seja, acaba por ser banido de um mercado que extingue atividades mais simples e aposenta os
cidadãos que não possuem conhecimento sobre as novas linguagens e técnicas do sistema
informatizado.
O indivíduo desqualificado acaba por perder a auto-estima, bem como a sua capacidade
de reação, visto que seu potencial empregatício é desprezado, e cada vez mais é excluído das
necessidades da sociedade . Suas perspectivas são progressivamente diminuídas, e a alternativa
para sua sobrevivência são os serviços informais no comércio e similares.
Essa é a situação de boa parte da população brasileira, para qual pouco importa conhecer
ou não os benefícios da tecnologia no mundo atual. Pois, na verdade eles não têm capacidade de
consumo, e acabam por distanciar-se da tecnologia, ou seja, se tornam alienados do
conhecimento e da informação a respeito deste. O que é ainda mais preocupante, devido à
exigência cada vez maior de conhecimentos sobre informática e internet.
PROJETOS PARA INCLUSÃO DIGITAL
O Fundo de Universalização dos Serviços- FUST, representa um esforço do Governo
Federal, por meio do Ministério da Cultura, de universalizar o acesso para todos os brasileiros,
aos serviços de telecomunicações, potencializados pela conexão de computadores à Internet.
Porém, existem muitas reclamações sobre este projeto, devido a desvios e má administração da
verba voltada para a causa. Para se ter uma idéia da situação R$ 1,044 bilhão foi a receita do
FUST, até novembro de 2001. Porém o Tesouro Nacional conseguiu incluir no orçamento de
2002 a retenção de R$ 341,021 milhões para pagar a dívida com o FMI. É um absurdo imaginar
que esta verba, se bem administrada, poderia resolver, ou pelo menos diminuir, este problema no
Brasil. Este ano, a esperança é que se possa ter um melhor aproveitamento desta verba visto que,
o FUST destinará R$ 26,316 milhões para manutenção da rede e desenvolvimento de software,
tecnologias avançadas e padrões para bibliotecas digitais, entre outros itens.
Uma outra forma de combater a exclusão digital é a criação de "telecentros comunitários".
Um "telecentro" é um lugar físico, com fácil acesso ao público que oferece gratuitamente os
serviços de informática e telecomunicações. O telecentro atua nas áreas: social, econômico,
educacional e pessoal. Essa idéia baseia-se na crença de que o cidadão tem possibilidade de
crescer, caso tenha acesso a informação. A literatura científica sobre Telecentros revela centenas
de exemplos de projetos desta natureza na África, na Ásia e na América Latina nos últimos dez
anos. De fato, o termo "Telecentro" é o mais aceito atualmente para englobar projetos similares,
com nomes tão variados como "cabines públicas", "centros comunitários de tecnologia", "centros
comunitários de acesso", "centros de conhecimento na aldeia", "infocentros", e "clubes digitais".
No Brasil, começam a ser desenvolvidos projetos parecidos, em conjunto com países da
América Latina, onde telecentros já estão em funcionamento experimentalmente. Em São Paulo o
governo inaugurou o primeiro “infocentro”, no dia 16 de novembro de 2000, o projeto é o Acessa
São Paulo, que pretende beneficiar 3,5 milhões de paulistas. Goiânia e Porto Alegre estão sendo
cogitadas para desenvolver projetos parecidos.
Em Santa Catarina, a exclusão digital foi diminuída, professores e acadêmicos de Ciência
da Computação da Univali, em Itajaí, desenvolveram um Grupo de Inclusão Digital- GID, com a
finalidade de reduzir as desigualdades sociais geradas pelo problema, desenvolvendo novas
modalidades de interfaces que facilitem a utilização de computadores por pessoas portadoras de
necessidades especiais.
O LADO NEGRO DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
A exclusão digital demonstra o lado ruim da difusão desta tecnologia, da qual muitos
entusiastas se recusam a se dar conta, preferem não levar em consideração a grande massa de
excluídos espalhados pelo mundo atualmente. A situação é tão grave que a ONU resolveu colocá-
la entre os piores problemas da sociedade na atualidade, ao lado da fome, do desemprego e do
analfabetismo. Este tipo de exclusão é de fato tão grave quanto a fome, pois o que acontece na
área do conhecimento é o mesmo que acontece na distribuição de renda. O conhecimento tende a
ser cada vez mais valorizado, enquanto que a falta dele cada vez mais ignorada. Segundo
SILVEIRA (2001), O que deve ser feito para acabar com isso é o combate ao analfabetismo
funcional e a redução do atraso tecnológico das camadas que vivem a margem da informação.
SILVEIRA afirma que:
“Em primeiro lugar, o Brasil deveria criar um ambiente favorável à
criação da tecnologia e o Estado deveria ter uma política de inclusão da
população dentro da sociedade da informação. Além disso, as pessoas
devem ser educadas para o uso das novas tecnologias e o Estado deve
entrar como operador das mesmas. Sem a ação do governo e o incentivo à
educação a exclusão não poderá ser combatida.” (2001,p.25).
A tecnologia digital, com certeza, veio para ficar e possui, sem dúvida, características
particulares que podem trazer grandes benefícios para humanidade. Porém, não se deve esquecer
dos excluídos que serão os grandes prejudicados dentro deste contexto.
Ótimos textos, Anderson. A sociedade precisa conhecer o impacto que as novas tecnologias trazem na sociedade e quais os novos paradigmas a serem explorados. Adriana Rios
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